sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Obscurity Tears - O novo disco de uma banda com História

 Por Raphael Oliveira
Formação atual: Bruno Lee (Bateria), Junior Alves (Guitarra), Evandro Andrade (Guitarra/Vocais), Jefferson Barreto (Baixo/Vocais)


Numa matéria publicada nesse blog, no ano de 2014, abordamos a história da Obscurity Tears através de uma ótima entrevista com o guitarrista e fundador da banda Evandro Andrade. Quatro anos depois, estamos aqui novamente no O Som na Cidade, voltando a falar de música, Rock'n Roll, e mais precisamente de Metal! Na época da matéria em 2014 a banda passava por um hiato, onde o último trabalho lançado tinha sido o EP, My Chemical State, hoje a Obscurity voltou à ativa, e está a todo vapor, fazendo shows, trabalhando suas redes sociais da banda e o mais legal, lançando trabalho novo, um disco conceitual que se chama Rise of a God. Tive o prazer de entrevistar mais uma vez o guitarrista Evandro Andrade e agora você acompanha como foi o bate papo.

OSomNaCidade - Evandro, a Obscurity Tears é uma banda que tem uma bela história no cenário musical da Cidade e do Estado, estamos muito felizes com o lançamento do novo trabalho, como é voltar a gravar e lançar um novo trabalho depois de nove anos? Como se chama o novo álbum?

Evandro - Na verdade, o último lançamento físico da banda foi em 2016, onde lançamos um DVD comemorativo de 20 anos de banda. Esse trabalho se chama “Obscurity Tears 20 Years of Pure Doom Metal”. Uma espécie de biografia da banda, que contou através de vídeos, fotos, textos e depoimentos toda nossa trajetória até então. O material teve tiragem limitada e foi lançado em 2016 no Blizzard of Rock, evento que marcou o retorno da banda aos palcos após um hiato de aproximadamente 5 anos.  Sobre o novo álbum, é sempre bom imortalizar um momento musical, dar vida as ideias e poder apresentar esse material ao público. Foi um trabalho árduo e que exigiu de todos muita dedicação, mas foi muito recompensador, estamos orgulhosos do resultado final.

O novo trabalho se chama Rise Of A God.

OSomNaCidade -  Falando sobre o novo disco, por quais caminhos vocês trilharam na sonoridade deste novo álbum?? O que difere desse novo disco, para os trabalhos anteriores da Obscurity Tears?

Evandro - Bem, quem conhece a banda desde os primórdios, sabe que tudo começou lá no início da década de 90, onde o acesso a informação, equipamentos e até a música era bem precário em relação a hoje em dia. A musicalidade no início era bem tosca, sem muita técnica, tudo movido por um sonho. Os anos passaram, a vontade e determinação aumentaram e o sonho virou uma meta.  

Sendo assim é natural a evolução musical com o passar dos anos. Nosso primeiro trabalho gravado, que foi o Songs For A Black Winter, lá no final de 1999, apresenta uma banda que estava migrando do Death Metal para uma mistura de Doom, Gotich e Metal. Esse primeiro registro lançou a banda no underground de fato, rompemos barreiras, criamos um álbum único pra época e principalmente para a região. O álbum foi destaque em revistas especializadas, zines, sites, etc. 

Sempre tendo uma nota acima da média. O resultado até nos surpreendeu. Anos depois, após muitas mudanças na formação e algumas pausas, lançamos o álbum My Chemical State. Com uma proposta sonora mais atmosférica, direta e que valorizava muito a voz, que na época era a da Márcia Raquel. Conseguimos uma gravação bem mais limpa que o primeiro álbum, com um estúdio melhor e melhores equipamentos. O disco tem uma temática bem abstrata, falando de conflitos existenciais, mortalidade e reflexões sobre os rumos da humanidade. 

Depois de um hiato que durou até o início de 2015, voltamos com uma nova formação e para fazer um primeiro registro dessa formação dessa época, gravamos o single “The Deep And Red Sea” gravado em dois dias. Divulgamos apenas na internet essa faixa. Fazendo um aparato de tudo que gravamos oficialmente e comparando com o disco recentemente gravado (Rise Of A God), podemos notar a evolução, tanto no instrumental, tanto em letras, produção e tudo mais. 

Rise Of A God traz o Obscurity Tears em seu formato mais pesado, carregando influências de bandas que deram origem ao Doom Death Metal, tais como Katatonia, Amorphis, My Dying Bride e Paradise Lost. Sim, é uma espécie de retorno as origens, não só da banda, mas do estilo. Pra quem entende e escuta esse estilo, esse material se torna uma verdadeira viajem aos anos 90.
 

OSomNaCidade - A banda já passou por vários momentos e trabalhou com várias sonoridades, hoje como você definiria o som da banda? E quais as principais influências desse novo disco?

Evandro - Rise Of A God é um disco totalmente Doom Death Metal, calcado nos trabalhos iniciais de bandas da década de 90. Pra quem conheceu a Obscurity pelo Songs For A Black Winter e outros trabalhos posteriores, talvez não saiba que a banda já se chamou Smashed Face, e fazia um som realmente Death Metal, flertando levemente com o Doom. Nesse trabalho a banda resgata essa sonoridade mais crua, direta, com uma parede de guitarras distorcidas e riffs rochosos. Esse material está pronto para desequilibrar ouvidos não preparados. Obscurity Tears no seu estado mais negro, místico e pesado.
 
OSomNaCidade - Vocês já tiveram grandes vocais que passaram pela banda, a banda ficou muito conhecida por revelar grandes talentos nos vocais, principalmente os vocais femininos, hoje vocês contam com o trabalho de voz do também Baixista da banda, Jefferson Barreto, como estão trabalhando em torno dessa proposta com vocais guturais que adiciona um peso para a sonoridade da banda, seria esse o verdadeiro retorno as origens da Obscurity Tears? 

Evandro - Os vocais femininos foram muito importantes na história da banda, gravamos dois álbuns tendo como carro chefe a voz feminina. No entanto, a proposta agora é outra, sim, retorno as raízes, só que com mais pegada, mais técnica e mais coesão. Jefferson surpreendeu a todos, ninguém imaginava que ele conseguiria fazer um trabalho tão bom levando em conta o pouco tempo que ele assumiu o posto de vocalista. Estamos muito satisfeitos com o resultado.
 
OSomNaCidade - Como foi o processo de composição desse novo álbum? O disco é conceitual e eu gostaria que você explicasse como foi o processo criativo deste trabalho.

Evandro - O processo foi natural, não tínhamos em mente um plano de soar assim ou assado. Apenas os riffs iam fluindo e o som ficando cada vez mais pesado. Aos poucos as músicas foram tomando forma, e os temas começaram a surgir e quando começamos a definir quais músicas seriam gravadas, sentimos que algumas faixas se conectavam, liricamente e nas melodias. Eu não diria que é um álbum totalmente conceitual, mas, acredito que uma áurea obscura circunda o trabalho por completo. As músicas se conectaram, letras deram origem a melodias, influências de músicas folk, egípcia, filmes. Liricamente é um trabalho muito rico e apesar das toneladas de drives valvulados que inserimos no álbum, a melodia, o toque de algo mais progressivo ainda está lá, quebrando em certos momentos o clima. Estamos orgulhosos de ter criado esse monstro!

OSomNaCidade - No festival Blizzard Of Rock deste ano a banda fez o seu retorno aos palcos da cidade e trouxe várias das músicas do novo disco, como foi a aceitação do público e como essa volta aos palcos?

Evandro - O Blizzard of Rock é o maior festival underground do interior de Pernambuco e um dos principais festivais do nordeste. É sempre bom tocar lá! Apesar de toda a dificuldade o festival completou 18 edições, e já o qualifica como um evento do calendário da música alternativa do estado. Sobre nossa apresentação, creio que as músicas novas funcionaram muito bem ao vivo, fazendo o povo bater cabeça e curtir bastante. Antes desse evento já vínhamos tocando em outras cidades como Recife, Gravatá e também tocamos em Maceió alguns meses atrás. Apesar de sermos uma banda de um público mais restrito, os convites para shows sempre aparecem.

OSomNaCidade - Quais os próximos passos? Como vai ser o lançamento dos próximos materiais, próximas músicas, vídeos e etc. Quando teremos em mãos o novo trabalho completo?

Evandro - A gravação foi finalizada aproximadamente à um mês atrás, soltamos uma faixa nas redes sócias que foi a “Lost In The Deep”. Estamos preparando dois lyric vídeos para divulgar o trabalho na web. Quanto ao material físico, já estamos contatando empresas para a prensagem do CD e também vendo possibilidades de lançar o material por algum selo. Outra novidade, é que também pretendemos lançar o material em Fita K7. Para os saudosistas de plantão!! É um formato que está retornando com muita força na indústria fonográfica assim como o vinil, só que vinil sai muito caro para se prensado (risos).

OSomNaCidade - Gostaria de agradecer mais uma vez a participação no O Som na Cidade, e sempre que tiver novidades pode contar conosco para divulgar. Um grande abraço.

Evandro - Nós que agradecemos o espaço! Bandas underground precisam muito desse apoio pra divulgar sua arte. Espero que esse retorno traga cada vez mais motivação e que em breve possamos estar aqui novamente falando de mais um trabalho gravado! E que o Rise Of A God agrade a quem aprecia nosso som! 

Para quem quiser ouvir o primeiro Single do álbum Rise Of A God da Obscurity Tears, pode dar play diretamente aqui no nosso blog! 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

29 - Podcast - O Clube da Esquina, Som de Minas.




Um dos Podcasts mais emocionantes e caprichados no sentido da escolha da trilha sonora, cada detalhe foi pensado, cada música e cada história, venham conhecer aqui como se formou um dos maiores movimentos musicais do Brasil, um movimento que nos entregou Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, 14 Bis, Boca Livre e outros grandes artistas que só enriqueceram a nossa música brasileira, vamos nessa que hoje a ponte aérea é para Minas Gerais.

Episódio Captado, Editado e Publicado por Talk'nCast Produções de Podcast.
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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Resenha (Clássicos): Off The Wall - Michael Jackson


Off The Wall - Michael Jackson
Gravadora: Epic Records
Lançamento: Agosto/1979
Produção: Quincy Jones
Avaliação: 5/5

     5° Disco de Estúdio, o Off The Wall é o álbum que consolida a carreira solo do Michael Jackson, é um clássico absoluto da carreira do Rei do Pop, apesar da sonoridade ter a cara da Motown, gravadora que revelou Michael para o mundo, o disco foi lançado pelo selo Epic Records. A primeira música do disco é bastante conhecida por nós brasileiros pois a introdução de Don't Stop 'Til You Get Enough era a trilha de abertura do Video Show (Programa da Rede Globo), pra quem gosta de curiosidades, o disco conta com a participação de um brasileiro, Paulinho da Costa, percussionista que participa de algumas faixas do Off The wall, inclusive desta faixa que abre o disco, segue a clássica Rock With You, uma quase balada, um pouco mais dançante, aliás essas duas músicas que abrem o disco trazem toda uma carga da sonoridade dos anos 70 só que com um pouco mais de elegância, Don't Stop Til You Get Enough e Rock With You foram os dois singles de maiores sucessos desse disco.

     Workin' Day and Night e Get on The Floor, são totalmente dançantes, na segunda música dessas citadas nós ouvimos muito bem o trabalho marcante de contrabaixo que é referência para baixistas até hoje, inclusive quem grava os contrabaixos desse disco é o genial Louis Jhonson, que posteriormente viria a gravar o disco Thriller também do Michael Jackson, é um gênio do instrumento como eu falei anteriormente, é um cara que influencia baixistas até hoje.

     Seguindo o disco temos a faixa que dá título ao disco, Off The Wall, a minha preferida desse álbum, aqui vemos um trabalho genial de guitarra do sensacional Melvin "Wha Wha" Watson, um balanço incrível que deixa a música leve. Essa faixa é seguida pela "quase balada" Girlfriend, ela também trás um balanço bem característico, a música é uma delícia de ser ouvida. Depois desse flerte com outra "quase balada", ai sim vem uma clássica balada, cheia de teclados, pianos e uma interpretação vocal bem cuidadosa, trata-se da faixa She's out Of My Life que foi o terceiro single desse álbum.

     Encaminhando para a parte final do disco, temos outra balada dançante, I Can't Help It, mais uma vez chamando atenção para a sofisticação dos arranjos de pianos e teclados, é sensacional. A penúltima música do disco é It's the Falling in Love, outra música daquelas dançantes, fáceis de se ouvir, o arranjo da música te leva a balançar os pés, se mexer onde você estiver, mas ainda assim sem abandonar a sofisticação e elegância dos arranjos, presentes em todo o disco, dá pra sentir o toque pessoal de Quincy Jones em faixas como essa, por ter músicas gigantescas (músicas de grande sucesso) essa música talvez não teve a devida atenção mas já adianto que é uma das melhores do disco. Pra fechar a obra segue uma música cheia de metais, arranjo clássicão anos 70, trata-se da música, Burn This Disco Out, arranjo que inicia numa batida com um tempo quebrado, que não segue aquele clássico padrão 4/4 e mais uma vez o contrabaixo se destaca, dessa vez a sofisticação é deixada um pouco de lado e os arranjos segue para aquele balanço e pegada tradicionais, praticamente inventados pela Motown.
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